
Imagine poder escolher sua fornecedora de energia elétrica com a mesma liberdade com que escolhe sua operadora de celular. Essa revolução está prestes a chegar às tomadas dos brasileiros, e segundo o CEO da Cemig, Reynaldo Passanezi Filho, ela vai transformar radicalmente o setor elétrico.
A declaração foi dada durante o evento do Projeto Eloos, em Belo Horizonte, promovido pela Rádio Itatiaia em parceria com a CNN Brasil, que reúne grandes nomes do setor para debater seus futuros rumos.
O Fim do Monopólio e a Era da Escolha
O coração dessa mudança é a Medida Provisória 1.304, já aprovada pelo Congresso e que aguarda a sanção do Presidente Lula. A MP permitirá que consumidores residenciais e comerciais migrem para o mercado livre de energia, deixando de ser obrigados a comprar exclusivamente da distribuidora de sua região.
“Agora o consumidor vai poder escolher a empresa que vai fornecer energia elétrica para ele. Isso vai transformar muito o setor”, afirmou Passanezi. Ele destacou que “a abertura do mercado é a melhor notícia” da MP, equiparando o setor elétrico a outros, como o de telecomunicações.
Como e Quando a Mudança Acontece?
A transição não será imediata. O plano é que o mercado se abra em etapas:
- Para indústrias e comércios: em até 2 anos após a sanção da lei.
- Para consumidores residenciais: em até 3 anos.
A partir daí, o critério deixa de ser a localização e passa a ser a livre concorrência, com os consumidores podendo escolher seu fornecedor com base no melhor preço, condições contratuais e até a fonte de energia (como optar por empresas que usam apenas fontes renováveis).
Os Desafios do Novo Cenário
Apesar do otimismo, o CEO da Cemig alertou que a reforma não está completa. Para ele, é crucial avançar nas políticas de incentivo e subsídio, que ainda estão muito focadas em “tecnologias maduras”.
“A gente deveria ter mais incentivo e subsídio em tecnologia disruptiva, para trazer mais data center para o Brasil, investir mais em armazenamento de energia e baterias”, explicou Passanezi, defendendo que o país precisa olhar mais para o futuro.
Sustentabilidade e “Adição Energética” em Pauta
O evento Eloos também contou com a participação de outras autoridades, como Magda Chambriard, presidente da Petrobras, e o ministro do STF, Luiz Fux.
Magda apresentou o conceito de “adição energética“, uma visão que defende não simplesmente substituir as fontes fósseis, mas acrescentar novas fontes de energia para suprir a demanda crescente. Ela afirmou que a Petrobras precisa entregar entre 55% e 60% a mais de energia até 2050 para cumprir suas metas de crescimento.
A sustentabilidade também foi reforçada por Anderson Baranov, CEO da Norsk Hydro Brasil, recém-chegado da COP30. Para ele, o discurso de descarbonização e inovação já é uma realidade nas empresas, e o momento é de priorizar o diálogo para enfrentar os desafios climáticos.
O que isso significa para você?
Em resumo, o setor de energia brasileiro está no limiar de uma nova era. A liberdade de escolha chegará em breve, prometendo mais opções, possivelmente melhores preços e um mercado mais dinâmico e inovador. Fique de olho: a forma como você consome energia está prestes a mudar para sempre.
