
Após um impasse diplomático, Brasil e Paraguai decidiram retomar as cruciais negociações sobre o acordo financeiro da usina de Itaipu. Os países marcaram a primeira quinzena de dezembro como a data para reiniciar as conversas sobre a revisão das condições de comercialização da energia da binacional.
O anúncio foi feito pelos Ministérios das Relações Exteriores dos dois países após uma reunião, nesta segunda-feira (17), entre o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, e seu homólogo paraguaio, Rubén Ramírez Lezcano.
O que estava travando o acordo?
As negociações estavam paradas devido a um assunto delicado: a investigação sobre ações da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) no Paraguai entre 2022 e 2023, durante o governo Bolsonaro. O caso, que supostamente envolvia as próprias negociações sobre Itaipu, criou um atrito entre os países.
O impasse foi superado após o ministro Vieira apresentar um relatório confidencial e esclarecimentos sobre o episódio. De acordo com a nota oficial, o chanceler paraguaio recebeu as explicações e “manifestou que o governo paraguaio dava por concluído o assunto”, abrindo caminho para a retomada do diálogo sobre a usina.
O que está em jogo? O “Anexo C”
O cerne da discussão é a revisão do “Anexo C” do Tratado de Itaipu, que define as diretrizes financeiras e de compra de energia da binacional. Um “pré-acordo” já havia sido costurado em 2024, mas foi suspenso justamente pelo caso da Abin.
Esse entendimento preliminar incluía um ponto de grande interesse para o Brasil: uma redução na tarifa da energia de Itaipu para os consumidores brasileiros a partir de 2026.
Por que isso é importante?
Itaipu é uma das maiores usinas hidrelétricas do mundo e uma peça fundamental na matriz energética de ambos os países. Um novo acordo é essencial para definir:
- O custo da energia para Brasil e Paraguai nas próximas décadas.
- A distribuição justa dos benefícios gerados pela usina.
- A estabilidade e a cooperação bilateral em um projeto estratégico.
A retomada das negociações em dezembro sinaliza um reaquecimento na relação diplomática e um passo crucial para destravar o futuro de um dos maiores símbolos da engenharia e da cooperação na América do Sul. O setor elétrico e os mercados dos dois países aguardam com expectativa os desdobramentos.
